"Não porque tivesse vivido tudo, nem porque tivesse encontrado resposta para todas as perguntas. Mas porque, algures pelo caminho, percebeu que talvez a vida nunca tivesse sido sobre ter tudo sob controlo.
Ela tinha passado anos a tentar antecipar o que vinha a seguir. A pensar demasiado, a preocupar-se demasiado, a querer fazer tudo bem. Tinha duvidado de si própria mais vezes do que gostaria de admitir e, ainda assim, continuava a levantar-se.
Riu-se de coisas absurdas. Chorou por coisas que pareciam pequenas aos outros, mas que para ela eram enormes. Fez planos, mudou de planos e voltou a fazer planos.
Colecionou perfumes, livros, concertos, viagens, memórias e pequenos momentos que provavelmente ninguém além dela saberia explicar.
E, no meio de tudo isso, foi-se tornando quem era.
E, antes de apagar a luz, deixou uma frase escrita na margem da última página:
“Ainda bem que não desisti de descobrir como acabava a minha história.”
Fim.
(Ou talvez apenas: continua.)"

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